COVID-19: de volta para o sangue?
Nos últimos dias a mídia vem relatando cada vez mais o sangue como um possível caminho para o tratamento da COVID-19, como já havíamos comentado em nosso texto “COVID-19: O sangue como cura?”. Junto a isso, neste mês de setembro, um grupo de pesquisadores da USP em Ribeirão Preto testou um novo candidato para o tratamento: o anticorpo monoclonal eculizumab. Além desse estudo clínico, uma outra pesquisa, na Itália, envolvia uma nova substância candidata a fármaco chamada AMY-101. Ambos demonstraram eficácia no restabelecimento da função respiratória em pacientes graves com a doença.
Mas o que é um anticorpo monoclonal? São proteínas capazes de tratar muitas doenças, já que se ligam ao seu alvo específico e recrutam outras partes do nosso sistema imunológico para destruírem as células infectadas. Esse anticorpo já foi utilizado como tratamento para doenças hematológicas e obteve um efeito anti-inflamatório acelerando a recuperação de pacientes com COVID-19.
Tanto ele quanto o AMY-101 agiram no sistema complemento, o qual envolve uma cascata de proteínas que ajudam na defesa do nosso organismo contra infecções, sendo efetivo contra a COVID-19. Isso porque já foi observado que o SARS-CoV-2 induz o nosso organismo a produzir uma inflamação exacerbada e descontrolada, conhecida como “tempestade de citocinas”, a qual tem a finalidade de expulsar o agente viral. Porém, em doentes da COVID-19 ocorre o esgotamento do sistema imunológico para conter a infecção, podendo levar a infecções secundárias.
Ambos candidatos a medicamento foram administrados via intravenosa uma vez por semana: o eculizumab 900mg em 10 pacientes do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e o AMY-101 5mg em 3 pacientes no Hospital San Raffaele na Itália. Os pacientes escolhidos estavam em estado grave com insuficiência respiratória e positivos para COVID-19, com idade entre 18-80 anos. Os estudos demonstraram que todos os pacientes que receberam AMY-101 tiveram alta e 8 pacientes que receberam o anticorpo monoclonal obtiveram melhoras clínicas e alta; sendo que o AMY-101 desempenhou uma melhora respiratória mais consistente.
Por fim, esses estudos clínicos iniciais abrem caminhos para futuros estudos maiores que verificarão a verdadeira eficácia de ambas terapias testadas. É importante ressaltar que a inibição do sistema complemento proporcionou uma resposta anti-inflamatória efetiva. Devido à isso, os pesquisadores que conduziram essas pesquisas iniciais, estão planejando realizar um novo estudo clínico no Hospital de Clínicas da FMRP-USP, com a participação de mais de 100 pacientes com COVID-19 em estado grave, porém serão submetidos apenas ao tratamento com AMY-101, já que a mesma demonstrou melhor resultado.
Referências:
http://www.oncoguia.org.br/conteudo/anticorpos-monoclonais/7959/922/
https://agencia.fapesp.br/dois-compostos-anti-inflamatorios-mostram-se-capazes-de-acelerar-a-recuperacao-da-covid-19/34197/
msdmanuals.com/pt/profissional/imunologia-dist%C3%BArbios-al%C3%A9rgicos/biologia-do-sistema-imunit%C3%A1rio/sistema-complemento
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1521661620307580

Autora: Luiza Sardinha
Revisores: Vladimir Pedro, Isabela Pierre e Júlia Albuquerque
0 comentários